O Surrealismo de Uelsmann e a fotografia digital

Em: Pra Pensar, postado por: Bruno Marinho

14 abr 2010

uelsmann

Por Bruno Marinho e Jforni

O Surrealismo nasceu em Paris nos anos 20 e foi fortemente influenciado pelas teorias psicanalíticas de Freud. As artes surreais são marcadas por formas irreais e imaginárias que comunicam ao inconsciente uma aparente loucura. Contudo, há muito mais nas mensagens desse gênero do que uma análise superficial pode imaginar.

O mais conhecido artista surrealista provavelmente é Salvador Dali. Suas famosas pinturas “A Persistência da Memória – 1931″, “Metamorfose de Narciso – 1937″, “O sono – 1937″ são expoentes desse movimento. Na galeria online oficial de Dali você pode conferir todas as obras e informações detalhadas sobre este mestre do Surrealismo.

http://www.dali-gallery.com/

Chegamos então à seguinte questão: “o que isso tem a ver com fotografia?”

Para aqueles que não conhecem, gostaria de apresentar-lhes o trabalho do fotógrafo Jerry N. Uelsmann. Esse norte-americano, nascido em Detroit (1934), tem uma produção impressionante e ao meu ver, mesmo sendo reconhecido como um dos mais importantes fotógrafos do Modernismo, pode ser considerado o Dali da fotografia.

Você deve estar se perguntando: “legal, o cara faz umas montagens bem interessantes.” Bom, o fato é que Uelsmann não utiliza qualquer software ou tecnologia atual em suas composições. Valendo-se apenas de câmeras analógicas e manipulação de negativos (às vezes mais de uma dezena da mesma foto) o fotógrafo chega a resultados geniais, como esses que você pode conferir abaixo.

Site oficial: http://www.uelsmann.net

Meu objetivo não é apenas apresentar o trabalho de Uelsmann, mas abrir discussão e reflexão de até onde neste boom da fotografia digital, estamos clicando sistematicamente apenas para chegar num resultado imediato agradável.

Acredito que esta popularização tirou muito do momento do clique presente na fotografia analógica. Cada clique era pensado, era repensado, era estudado.

Fica a dica, faça o exercício de tentar extrair o máximo da sua câmera, mesmo digital amadora, estilo point and shoot, sem utilização de software de tratamento. Fotografia é arte, é estilo. Às vezes cortar uma cabeça ou estourar a foto não significa erro, mas sim uma interpretação da cena.

Devemos usar o que de melhor a fotografia digital nos trouxe de bom – ela, por exemplo, permite-nos experimentar possibilidades sem custo de revelação. Não devemos, porém, nos limitarmos a soluções óbvias. Existiu vida criativa antes do Photoshop.

Por isso experimente, clique diferente. Não registre um momento, registre o momento.

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